Desabafo Sincero
Eu nunca consegui me expressar honestamente com as pessoas, sempre imaginei que estava apenas incomodando, até por que ninguém tem nada a ver com meus problemas. Entretanto, decidi escrever esse texto pra você entender um pouco dos meus verdadeiros, apesar de nem eu mesma conseguir entendê-los direito. Não tive uma infância difícil economicamente falando, entretanto tive alguns problemas que não eram tão discutidos naquela época. Cresci numa família que sempre presou pela união, mas que eu só puder entender realmente o significado disso bem depois, pela forma como eram abordados. Por isso, pra que tudo possa ser entendido, vamos começar do início.
INFÂNCIA

Estudei num colégio onde era sempre ridicularizada, seja pelo meu cabelo, meu cheiro, as vezes por está ali. Minhas 'amizades', depois de um tempo se afastaram, me humilhavam e nunca estavam lá quando eu precisava. Isso sempre foi algo recorrente, por isso não possuo amizades que trago da infância, por que eu sempre afasto as pessoas, pra não terem que lidar comigo e meus problemas. Mas voltando, não tem auto estima que aguente isso. Nunca comentava com meus pais pois sempre achei que por serem meus problemas, eu deveria guardar pra mim, até por que eles já tinham os deles, então eu sempre botava um sorriso enorme e dizia que estava tudo bem, mesmo que não tivesse. Por outro lado, eu era constantemente comparada com meus primos, de forma negativa. Eu sempre era a mais desastrada, a pior estudante, a que sempre errada, vista como a sem futuro. E apesar de apenas uma pessoa da minha família dizer isso no meu rosto, eu sempre tive que aguentar os olhar, aquele olhar de quando te julgam internamente, dizendo que eu nunca seria boa o suficiente. Sabe, depois de tanto tempo escutando que você nunca vai ser boa o suficiente, você acaba acreditando nisso, principalmente quando se é criança e escuta isso o tempo todo. Depois de tantas vezes escutando que o que escolhia pra fazer, não era algo que eu conseguiria fazer, eu acabei abrindo mão de criar planos ou expectativas pois eu acabei colocando na minha cabeça que nunca ia conseguir e que nada que eu fizesse ia ser bom o suficiente e que ninguém iria gostar. Pra piorar tudo, eu não tinha uma relação boa com meus pais na época, então toda vez que eu chorava, eu nunca dizia o real motivo das lágrimas e me esforçava o máximo para não chorar, mas naquele tempo era muito difícil. Hoje em dia, ele nunca me vêem chorando. Resumindo, no final da minha infância eu não tinha auto estima restante, não confiava em ninguém, era considerada a Ovelha Negra da família e queria sumir por que achava que eu só trazia desgosto pra meus pais e familiares.
PS: Tentei fugir duas vezes de casa, mas não deu certo.
ADOLESCÊNCIA

Na 5ª série eu mudei de escola, indo pra aquela que eu iria finalizar meu ciclo escolar. Na minha cabeça, eu teria uma nova chance pra começar tudo de novo, um recomeço. Eu imaginei que tudo seria diferente, eu teria ótimos amigos, as pessoas iriam me aceitar como eu sou e eu poderia esquecer tudo de ruim que passou, como se fosse apenas um sonho ruim, mas isso não passava de uma ilusão. Meus dois primeiros anos foram os piores anos da minha vida, por diversos motivos. Existia um grupo de meninos que fizeram questão de sempre reforça que eu a pessoa mais feia de toda a escola, sempre tirando brincadeiras e me fazendo sentir o ser humano mais horrendo do universo. Não tinha amigos passava todo o tempo do colégio sozinha e não tinha coragem de falar com ninguém, e as pessoas que viam falar comigo sempre era pra fazer o trabalho ou copiar minha atividade. Existia o grupo de meninas populares, que sempre me usavam pra fazer a atividade ou trabalho em dupla/grupo e com o tempo me fizeram sentir uma pessoa miserável, nada fora do comum na época. Lembro que chorava muito na escola, sempre ia pro auditório chorar. Lembro de uma vez que escrevi uma carta falando sobre meus sentimentos para um dos meninos da sala e uma das meninas (que eu achava que era minha amiga) leu pra toda sala ridicularizando a carta e meus sentimentos, por sorte não havia escrito meu nome. Chorei lembrando do riso da classe e especificamente do menino que eu gostava, meu primeiro coração partido. Apesar de ser considerada uma das meninas mais inteligentes da sala e ser adorada pelos meus professores, eu só era vista como uma idiota sem cultura por algum dos meus familiares, e por mais que alguns falassem coisas horríveis, fazendo com que eu tivesse que segurar com todas as minhas forças minhas lágrimas que estavam gritando pra sair, meus pais sempre tomaram o lado deles e nunca me defenderam, mesmo eu sempre fazendo o meu melhor, meu melhor nunca foi o suficiente, como sempre. Lembro que quando chegava em casa com notas vermelha, ou até mesmo com sete, meu pai dizia que ele sabia que aquele não era meu melhor e que eu poderia fazer melhor, mesmo que eu tivesse me esforçado o máximo. De alguma forma, meu pai de um jeito sútil sempre me fez sentir que eu era a pessoa mais inútil que eu conhecia, mas eu nunca tinha coragem de dizer isso pra ele quando ele vinha conversas comigo pra saber como eu estava. Infelizmente, minha mãe não fica longe. Eu lembro dela gritando comigo quando eu não passei pra estudar no IFPE (o ensino médio) dizendo que eu não passei por que eu era irresponsável; eu estava acocorada ao lado de um árvore aqui de casa, chorando, enquanto ela fazia isso. Até o ensino médio, minha amizades eram pessoas que só ficavam um ano comigo e depois saiam do colégio, eu pedia o contato e ficava por isso mesmo, mais uma vez sozinha. Eu sempre uma amizade que pudesse levar pro resto da vida, abraçar bem forte toda vez que pudesse, perguntar como foi a semana, mais como eu disse antes, eu sempre fui muito boa em afastar as pessoas. Meu ensino médio acabou e eu não consegui realizar meu sonho. Mais uma vez sozinha. Terminei meus ensinos sem perspectivas, sonhos ou metas concretas, pois tudo tinha sido destruído desde muito cedo.
PS: Já passei vários fins de semana totalmente deitada, só levantei pra comer e ir ao banheiro.
QUEM EU SOU

A minha faculdade foi feita por obrigação, e nada disso é um segredo. Eu queria viajar, conhecer o mundo, mas nada disso é visto como um plano de vida. Lembro da minha tia me questionando com o tom de voz elevado (sem ser necessariamente gritando) se eu queria passar fome, como ia me sustentar, que eu iria colocar uma mala nas costas e viver como uma necessitada por ai. Esse foi o último sonho realmente meu que eu tive, depois disso eu decidi que sonhos eram apenas pra pessoas muitos sortudas que sabiam o que queria desde cedo e se planejaram a vida toda pra alcançar isso. Atualmente, eu me sinto um lixo por dentro, não acredito que nada vá dar certo na minha vida, parei de acreditar que posso encontrar um amor depois de tantas desilusões que tive, acredito que sou um peso pra os meus pais, sinto que toda vez que eu me esforço as coisas dão errado. Sabe, eu gosto de acreditar que se algo não dá certo é por que Deus não quis, mas la no fundo eu sei que é por causa da minha incompetência. Eu adoro ajudar as pessoas por que eu me sinto útil e assim eu posso dormir com a consciência tranquila que sirvo pra alguma coisa. Entretanto, agora eu só consigo como um peso pras pessoas, principalmente pra quem acredita que eu sou especial. A verdade é que eu não sou especial, apesar de não conseguir me entender por completo, eu sei que não sou. Sabe, eu ás vezes peço a Deus pra ele me levar, mesmo que pro inferno, pra eu deixar de ser um peso, por que apesar de pensar em suicídio, me falta coragem muitas vezes, e assim seria mais fácil. Atualmente, tem dias que eu levanto, arrumo a casa e deito. Eu sei que nada vai acontecer se eu não mudar, mas eu não consigo. Eu quero acreditar que é fácil, que é a coisa mais simples do mundo, mas pra mim não é. Eu tento imaginar na dor que minha família ia sentir se eu morresse, será que eles se culpariam? Entretanto, eu fico imaginando que isso vai ser momentâneo e depois vai passar e eles vão perceber que eu fiz isso justamente por eles. Eu não quero me sentir assim, mas é algo que sempre volta. Principalmente quando eu penso no futuro, por que por mais que eu tente eu não consigo ver o meu.
Resumindo tudo que eu disse, eu me odeio e infelizmente não tem nada que você diga que vai mudar isso e por isso eu digo: Me desculpe.
Comentários
Postar um comentário